Por Fabrícia Araújo e Janina dos Santos -
Um profissional versátil, assim é Murilo Caldas Queiroz. Ele já foi assessor de comunicação de uma ONG indigenista, trabalhou como repórter esportivo na TV Brasília e realizou trabalhos temporários para agências de comunicação, jornais e revistas impressos. Formado em Comunicação Social e com especialização no MBA em Gestão da Comunicação nas Organizações, hoje esse jornalista é assessor de comunicação e marketing da Politec e repórter no Distrito Federal e Goiás para o roteiro gastronômico Guia Mais.
Em entrevista ao Artefato Digital, Murilo Caldas fala sobre jornalismo on-line, os cuidados que se deve ter ao escrever para essa mídia e sua experiência na área.
Artefato Digital - Alguma vez já tinha pensado em trabalhar com jornalismo digital? Como surgiu a proposta de trabalhar na Politec?
Murilo Caldas - Desde a época em que estudava jornalismo já se falava no advento das novas comunicações e de uma nova linguagem específica para a mídia virtual. Naquela mesma época todas as empresas já estavam aderindo a esta nova forma de se comunicar com seus públicos. Pouco tempo depois de formado recebi uma proposta de coordenar a comunicação de uma ONG indigenista. Propus e implementei toda a comunicação interna da ONG utilizando os recursos da Internet. O site passou a ser o ponto principal de informações para o público em geral. Um informativo semanal monitorava e compartilhava com todos as informações sobre o que acontecia em cada Terra Indígena. O projeto, que virou realidade, foi um sucesso e até hoje está em funcionamento. Mas, como gosto de desafios procurei novas oportunidades. Em uma comunidade do Orkut. li um anúncio de trabalho para redator web e me candidatei. Na entrevista viram que eu tinha exatamente o perfil que estavam procurando. E na semana seguinte eu assumi a função de assessor de comunicação da Politec, empresa de Tecnologia da Informação – uma multinacional de capital 100% nacional, com sede em Brasília.
Artefato Digital - Você sentiu que estava preparado para o ambiente virtual? Quais foram as dificuldades que você encontrou?
Murilo Caldas - Sim, em momento algum senti dificuldade para lidar com o ambiente virtual. Creio que por ser um leitor de jornais virtuais e pela própria formação pude desenvolver tranqüilamente uma linguagem específica para os públicos da Politec na web. O desafio foi além disso. Como sou gestor de várias publicações, tanto impressas como na internet, eu acumulei a atribuição de redigir a mesma notícia em vários formatos, para veículos distintos. Na revista o tema é aprofundado, pode ter nariz de cera e algumas interferências bastante subjetivas, para dar um caráter mais editorial. No jornal, a informação diz o necessário e pode ser contextualizada. Na internet, a linguagem é mais institucional, mais publicitária. Na Intranet, que é mais dinâmica e interativa, os textos são sempre curtos (notas) e a linguagem é mais simples e bem direcionada ao público interno, falando com os colaboradores como se fosse uma conversa em casa (informal).
Artefato Digital - Qual a melhor maneira de escrever para o usuário da internet? E quais os cuidados que se deve ter ao escrever para a web?
Murilo Caldas - A melhor maneira de se escrever para qualquer público é sempre se colocar na posição de leitor. É lembrar que, mesmo que o autor domine totalmente o assunto, deve tratá-lo como se falasse pela primeira vez para não cometer o erro de ser arrogante, incompreendido ou mal interpretado. No caso da internet não é diferente. O que muda, a meu ver, é que lá as notícias têm menos espaço e deve-se sempre lembrar que a leitura na tela do Computador é mais cansativa do que numa folha de papel impresso. Ter poder de síntese para quem produz conteúdos para a web é característica fundamental. Às vezes é preciso dizer o mesmo que se lê em 50 linhas, com apenas 50 palavras, sem prejuízo para a mensagem.
Artefato Digital - Que ferramentas podem ser utilizadas para deixar o texto mais interessante?
Murilo Caldas - A linguagem coloquial é sempre a melhor opção para se deixar um texto mais palatável. Nada de termos rebuscados. Na minha opinião, um texto jornalístico "chique" é aquele escrito com palavras simples, termos precisos e bem empregados. É preciso principalmente clareza na colocação das palavras. Ou seja, nada de frases invertidas e nem ficar fazendo suspense na hora de narrar um fato na internet. Na web, a gente tem de ser direto, "curto e grosso", no bom sentido.
Artefato Digital - Como você vê o mercado de trabalho para o jornalista hoje? Você acredita que o futuro do jornalismo está na internet?
Murilo Caldas - Eu não diria que o futuro do jornalismo está na internet. Acho que cada veículo tem o seu valor e seu público. Prova disso é o rádio, que atravessou toda a revolução tecnológica e sobrevive muito bem, sendo o veículo de maior alcance da América Latina. Acho que vivemos um momento de amadurecimento e definição de todas essas linguagens. Creio que daqui a muito pouco tempo o leitor poderá escolher a mídia de acordo com o grau de profundidade que quer de determinada informação, pois a mesma pode está divulgada em diferentes veículos, mas com abordagens diferentes, níveis de detalhamento e contextualização distintos.
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