Por Adriana Silva e Aline Bezerra -
Marcos, Carlos e Fernando seguem um ritual diário. Acordam cedo e correm para o ginásio, é hora do futebol. Engana-se quem pensa que os meninos vão jogar uma partida. Uma grade separa duas realidades.
Os meninos estão do lado de fora e assistem ao jogo a distância. Posições desconfortáveis e visão desprivilegiada não são empecilhos para esses garotos. A paixão por este esporte fala mais alto. Carlos tem 17 anos, cursou até a 4ª série e sonha retomar os estudos e trabalhar com informática. Marcos tem a mesma idade e sonha ser um jogador de futebol bem-sucedido. Fernando, o caçula dos três, também deseja jogar bola e ser famoso. Mas o que esses jovens têm em comum? Eles vivem nas ruas de Brasília e compartilham dramas familiares. Todos nós temos um sonho na vida. Os desses adolescentes não são diferentes do nosso: um carro, uma casa, um emprego, um amor ou simplesmente um momento de lazer. Os desejos mais imediatos destes meninos estão separados por uma grade que não é só física, é também social, e a concretização destes sonhos está diretamente relacionada a cidadania, com seus direitos e deveres, mas como cobrar deveres de quem não possui direitos básicos como: saúde, educação, lazer e alimentação? Há pessoas e instituições empenhadas em tornar a vida desses meninos mais digna e feliz. O SOS criança ajuda neste trabalho. Segundo Inês Oliveira, psicóloga do SOS criança, os motivos que levam uma criança ou adolescente sair de casa e morar na rua vão desde fatores afetivos como maus tratos e abuso sexual no meio familiar, a fatores econômicos onde os pais não têm as mínimas condições para manter essa criança. A instituição desenvolve inúmeras ações na tentativa de socializar esses garotos e resgatar sua cidadania. Seu trabalho é realizado com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e procurar esclarecer direitos, ensinar profissões e formas de caminhar com “suas próprias pernas”, conscientizá-los do seu papel na sociedade, resgatar afeto e sensibilidade perdidos nas relações familiares conflituosas e principalmente nas ruas. Para Inês, os jovens precisam entender o significado do que está acontecendo com eles. “É necessário despertá-los para um projeto de vida, por meio da conscientização de seus direitos e deveres como cidadãos e para isso necessitamos de um comprometimento coletivo”, afirma a psicóloga. De acordo com ela é freqüente vermos a cidadania ser confundida com a prática da caridade e proteção aos pobres e essa não é uma visão de quem pretende acabar com as desigualdades sociais. Fonte: matéria originalmente publicada no Artefato impresso.
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