Por Iana Mota -
Você está por dentro do que está comendo? Se você pensa que qualquer dieta nos livra dos males de uma alimentação excessiva, pensou errado. Se você imagina que está longe de comer produtos transgênicos, pelo simples fato de não ingerir soja (iludindo-se que somente a soja é o tal do transgênico...), imaginou errado novamente. |  cadeia de DNA | Na verdade os produtos transgênicos vêm sendo produzidos há mais de 20 anos. São obtidos por meio de técnicas modernas de engenharia genética permitindo que se retirem genes de um organismo e se transfiram para outro. Esses genes “estrangeiros” quebram a seqüência de DNA – que contém as características de um ser vivo – do organismo receptor, que sofre uma espécie de reprogramação, tornando-se capaz de produzir novas substâncias.
|
Um gene é um segmento de DNA que, combinado com outros genes, determina a composição das células. Possui uma composição química que vai determinar o seu comportamento. Como isso é passado de geração em geração, a descendência herda estes traços de seus pais. Desenvolvendo-se constantemente os genes permitem que o organismo se adapte ao ambiente. Este é o processo da evolução. Esses são os chamados transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGMs), plantas criadas em laboratórios que mudam a forma do organismo, assim manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas. Não há limite para estas técnicas; por exemplo, é possível criar combinações nunca imaginadas como animais com plantas e bactérias. Parece complicado este assunto, mas não para a bióloga Cássia Valéria Guedes Fukua, 34 anos. Atualmente, professora do Ensino Médio no Colégio Marista Champagnat de Taguatinga, formada pela Universidade Católica de Brasília em Biologia e Pós-Graduada pela Universidade de Brasília em Educação Ambiental. Ela explica, “ainda estamos pisando em ovos quanto a esta questão. Pois acerca deste tema não possuímos dados concretos, sendo os riscos maléficos ou benéficos”. Mas segundo a professora, há cerca de 15 anos vêm sendo realizados estudos na UnB, onde associam-se casos de câncer ao consumo de produtos transgênicos. Pelo fato de a incidência cancerígena ter aumentado consideravelmente junto à produção transgênica deste período. A primeira planta transgênica foi obtida em 1983, com a incorporação de um DNA de bactéria. Já em 1992 um tomate transgênico criado pela empresa Calgene foi proibido nos Estados Unidos e em 1994 estava sendo comercializado. Estes alimentos modificados podem aumentar a resistência à antibióticos, podem causar alergias, podem contaminar plantações vizinhas e estão em fase de legalização no Brasil por, muitas vezes, não respeitarem a Lei de Biosegurança e o Código de Defesa do Consumidor. O Greenpeace acompanha a tramitação de projetos e leis em Brasília para tentar impedir a aprovação de leis desfavoráveis ao meio ambiente, pressiona as indústrias de alimentos para que elas parem de utilizar transgênicos em seus produtos, leva informação à população sobre os riscos que os transgênicos oferecem e é um dos responsáveis pela ação civil que proibia o plantio e a comercialização de transgênicos no Brasil. Para Cássia, mexer com híbridos (sem espécie e 99% estéreis) um material genético de espécies diferentes, é muito complexo. Já em termos econômicos, gera um monopólio nos caso das plantas a serem comercializadas. Desta forma, segundo a bióloga, o agricultor de pequeno porte não compete; pois: > qualidade + < preço = > busca pelo transgênico. Cássia é totalmente contra a medida provisória nº 223, de 14 outubro de 2004 (estabelece normas para o plantio e comercialização da produção de soja geneticamente modificada da safra de 2005, e dá outras providências). Por ser imatura e causar um desequilíbrio ecológico. A Embrapa, por exemplo, já produz há muito tempo tomates transgênicos, transformando-os em mais duros, vermelhos e maiores (neste caso foram uma média de três espécies diferentes misturadas), assim chamando uma maior atenção do público. Leia outros textos de Iana Mota
translation:
Comente essa matéria (0 Comentários) |