Por Conceição July -
O Artefato Digital entrevistou a fonoaudióloga, Anna Cláudia Silva, que fala sobre o tratamento dos deficientes auditivos e como a família pode ajudá-los a superar os limites. Para ela “a deficiência auditiva é como qualquer outra deficiência, não torna o”ser humano" menos humano. É importante nosso país compreender que portadores de deficiência em geral merecem se tratados com o mesmo respeito, atenção e dedicação oferecido a qualquer outra pessoa.”
Artefato - Como o fonoaudiólogo desenvolve o trabalho com o surdo? Anna Cláudia Silva (fonoaudióloga )- Após diagnosticada a deficiência auditiva o fonoaudiólogo irá determinar qual o melhor Aparelho de Amplificação Aonora (aparelho auditivo) de acordo com o quadro apresentado e fará a adaptação deste aparelho. O trabalho de reabilitação consiste basicamente em desenvolver as etapas da aquisição da linguagem que não ocorrerão naturalmente sem este acompanhamento, assim, o portador da surdez terá um bom desenvolvimento da fala e do aprendizado. O fonoaudiólogo "ensinará" o deficiente auditivo a escutar o som e a saber o que fazer com este som. Artefato- Qual idade ideal para se iniciar o tratamento? ACS - Assim que diagnosticada a perda. Os pais devem estar atentos pois logo que o bebê nasce já pode dar sinais de estar escutando ou não. Devem observar as atitudes da criança na presença de sons como portas batendo, alguém que chama, brinquedos que fazem barulho e ver se existe interesse da criança para aquele barulho. A avaliação auditiva deverá ser feita por um fonoaudiólogo logo após o nascimento atravéz do chamado "Teste da Orelhinha" (Emissões Otoacústicas). Este teste detecta possíveis perdas auditivas e permite a intervenção precoce. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento melhores os resultados principalmente na aquisição da fala. Mesmo que uma criança apresente perdas auditivas graves, se for precocemente acompanhada e com o uso do Aparelho Auditivo, poderá desenvolver-se como uma criança ouvinte normal. Artefato- O tratamento é eficaz com os surdos adultos? ACS- O tratamento com pacientes adultos também apresenta bons resultados. Muitos portadores de deficiência auditiva usam a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e deixam de lado o aprendizado da fala. Em casos de surdez muito severa o aprendizado da fala é mais complicado e exige grande participação do portador de deficiencia e de sua família. Mesmo com acompanhamento fonoaudiológico, o uso do Aparelho de Audição é essencial e algumas limitações na qualidade da voz e na comunicação são comumente encontradas. Em todos os casos, sempre é tempo de aprender esta comunicação tão importante quanto é FALAR. Artefato- Os pais conseguem compreender as dificuldades dos filhos? ACS- Quando a família é bem orientada pelo fonoaudiólogo as dificuldades iniciais logo são superadas. Em alguns casos é orientado à família procurar um psicólogo para lidar com questões muito presentes como frustações, desânimo, impaciência. É importante que a família faça parte ativa no processo de reabilitação e que vivencie todas as etapas de evolução do tratamento. Aprender a se comunicar com seu filho, mesmo diante de algumas limitações, é fundamental para um bom desenvolvimento da criança. Artefato- Quais as dificuldades encontradas pelo surdo na aprendizagem? ACS- As principais dificuldades apresentadas são na apredizagem da linguagem oral. Se a criança não for acompanhada desde cedo terá limitações na comunicação falada que poderão implicar em dificuldades no apredizado da leitura e da escrita, no convívio social e no desenvolvimento da personalidade. Muitas vezes a família não aprende a linguagem de sinais e isso limita a convivência em casa e no dia a dia (quando somente esta linguagem é usada pelo portador da surdez). Existem escolas especializadas em crianças portadores de deficiência auditiva e o trabalho realizado apresenta excelentes resultados. É importante, entretanto, que a criança seja bem estimulada para poder se comunicar com ouvintes e não ouvintes. Artefato- Como os pais podem ajudá-los? ACS- A melhor forma dos pais ajudarem é estando atentos a seus filhos, participando com alegria e entusiasmo de toda a reabilitação e compreendendo que a deficiência auditiva não deve ser um fator de isolamento da criança dentro das atividades da família. Toda criança merece ser tratada com atenção, respeito e deve receber boa educação independente de possíveis limitações e dificuldades.
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