Por Anna Iung e Chico Dutra -
AFD – A cultura brasileira está morta? Rodrigo Leitão – Não. De jeito nenhum. AFD – Mas há um bom tempo não se vê um grande movimento cultural, como o tropicalismo, por exemplo? Rodrigo Leitão – Os grandes movimentos são cíclicos. Hoje se vê a ascensão do Hip Hop, trazendo a linguagem da periferia para a sociedade. Isso está redefinido as referências da classe média. Na música, você observa a “Egüinha Pocotó”. A banda CPM22 vem trazendo o punk da periferia para o público. No cinema, o filme “Cidade de Deus” revelou um lado do Brasil que a gente ouvia falar, mas não sabia como era. No teatro é a mesma coisa contemporânea. No DF mesmo, você tem “Os melhores do Mundo”, G7 e Hugo Rodas produzindo peças nesse sentido.
AFD – Escritores nacionais não faltam, mas por que o brasileiro continua a ler tão pouco? Rodrigo Leitão – Não sei... Talvez seja hábito. Talvez seja o preço dos livros. Um bom livro custa de R$ 30 a R$ 50. Imagine se a pessoa quiser ler um livro novo por mês. AFD – O hábito da leitura faz falta na vida do brasileiro? Rodrigo Leitão – Faz muita falta . No geral, o cara que tem uma boa bagagem cultural tem uma atuação melhor em qualquer área de trabalho. AFD – A Internet redefiniu os conceitos da cultural contemporânea? Em que sentido? Rodrigo Leitão – A internet não redefiniu a cultura. Ela é um meio e não um fim. A internet é uma mídia para que as pessoas transmitam informações. Como fonte cultural ela não é valida. Nada substitui um livro que você pega para ler. Esse tipo de leitura fica na sua mente. E é de lá que vem o suporte para as novidades culturais. A internet apenas divulga essas idéias. AFD –Condenações a Cultura Pop são comuns. Como você as vê? Rodrigo Leitão – A Cultura Pop é o reflexo da Cultura. É algo que é efêmero, descartável. Mas, que mesmo assim, reponde a uma demanda da sociedade. São os “15 minutos de fama” que Andy Warhol previu, na década de 60. É o Big Brother que vemos na TV. No entanto, vale dizer que o “Pop” pode vir com substância. Lulu Santos sintetiza muito bem as diversas tendências internacionais na sua musica. Gilberto Gil é outro exemplo. Ele experimenta os novos ritmos com riqueza de harmonias e mensagens. Isso dá consistência ao seu trabalho. AFD – Quer dizer que o Pop pode trazer algo mais para o público? Rodrigo Leitão – Isso mesmo. Ainda sobre o “Pop”, é importante dizer que muita gente confunde esse tipo de cultura com a Cultura Popular e a Contracultura. Cultura Popular é aquela que agrada a milhares de pessoas, a exemplo da dupla Chitãozinho e Xororó. Já a Contracultura veio no embalo de artistas como Bob Dylan e os Beatles. Ela buscava uma mudança cultural no ponto de vista dos hábitos, como a liberação das drogas e o sexo livre. Há pouco você citou o Tropicalismo. Nele buscou-se apenas uma mudança da forma de se manifestar a cultura. E não ela própria. E para isso esse movimento buscou uma linguagem Pop. Aproveitando o embalo desse papo musical, o Art&Fato Digital buscou informações sobre dois ritmos musicais contagiantes: Zouk e Flamenco.
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