Por Âdriana Soares e Ângela Andrade -
"Data Mining e um novo jornalismo de investigação" obra de António Fidalgo, traz à discussão temas relacionados com a profissão de jornalismo no que diz respeito à sua adequação aos novos sistemas e métodos que facilitam a vida dos jornalistas ao investigar e apurar dados. Como é o caso do surgimento do Computador. Segundo o autor, a escolha e a acumulação de dados do que existe ou do que se faz, são características que pertencem ao que se chama de sociedade da informação.
A obra fala sobre a extensão que tem o Jornalismo Digital de Terceira Geração. O autor comenta que, a informação dos aproximadamente 5 milhões de terabytes de informação existentes no mundo, levarão cerca de 300 anos para ser totalmente indexada.
Fidalgo utiliza uma linguagem e traça os principais elementos da obra com uma forma de difícil compreensão aos que pouco sabem a fundo sobre essa nova era do jornalismo digital.
Sobre Data Mining e um novo jornalismo de investigação, Fidalgo traça o perfil do trabalho do jornalismo digital como uma consulta numa base de dados que é quando se faz uma pesquisa por um determinado campo facilitando o trabalho neste campo pela coleta e melhor armazenamento desses dados. Ele diz também que o jornalismo de fonte aberta é um caso específico que precisa de uma base de dados, já que os dados da fonte são precisas para a investigação que, então, se tornará uma informação jornalística.
A característica especial do livro é que o autor cita a questão da Informática no dia-a-dia do jornalista e como ela representa hoje uma ferramenta eficiente que facilita tarefas seja na elaboração das notícias e a substituição das maquinas de escrever com o uso dos computadores nos dias de hoje. O assunto foi tratado de forma objetiva.
Para ele, o computador constitui uma ferramenta indispensável para recolher informação, organizá-la sob diferentes parâmetros, por fontes, locais, datas, conteúdos, e confrontá-la com outras informações, em jeito de prova, reforçando ou contradizendo outras notícias. Com programas de fácil manuseamento, o jornalista poderá verificar no local e na hora a veracidade das informações de uma fonte, recorrendo ao registro das informações, seja dessa fonte, seja sobre essa matéria.
O autor utiliza para base de reflexão as idéias de Alexius Meinong, que afirma a existência dos objetos de ordem superior, ou seja objetos que se sobressaem sobre outros, e distingue os tipos de objetos baseando-se na objetologia. Fidalgo utiliza o conceitua os objetos como tudo aquilo que de alguma forma, se pode apreender, independente de existir ou não. A objetologia trata desses objetos não reais, que não encontraram lugar nas ciências que já existem. Para ele há objetos que por natureza não podem existir, mas apenas subsistir. “A existência implica a subsistência, mas não vice-versa”.
Para Fidalgo da mesma forma que existem objetos de ordem inferior e superior, também existem noticias que seguem essa ordem. Ele afirma que existem fatores que apontam a relevância das noticias, para isso utiliza a definição de Manuel Pedrahita, que cita os fatores de proximidade, importância, polêmica, estranheza, emoção, repercussão e agressividade, como classificatórios da noticia. Isso se dá porque as noticias são fatos e normalmente são compostas por vários fatos que possuem ordem hierárquica dentro dela. Mesmo fazendo comparações entre noticias diferentes existem algumas mais relevantes que outras, como um acontecimento da importância de um desastre de avião, que envolve uma série de fatores políticos e sociais, e um casamento de um pop-star, por exemplo. Desta forma o autor faz uma exposição de idéias que vão além de conceituar os valores noticia e refletem sobre as próprias formas de transmiti-las.
Todos esses fatores que são trabalhados pelo autor servem então de base para se discutir algo que é de extrema importância para o jornalismo, a investigação. Se é possível distinguir a importância que umas noticias possuem sobre as outras, é fácil detectar a necessidade de investigação e aprofundamento que elas carecem. É preciso saber lidar com as informações conseguidas e sempre ir atrás de mais delas quando necessário. Para os novos meios de comunicação digital, isto parece se apresentar como um problema. Isso porque, ao que tudo indica, a modernização dos meios de noticias implicam no fato de o jornalista trabalhar como um “faz tudo” da redação, onde terá que apurar, investigar, redigiu, editar, publicar, dar conta da assistência técnica que exigem as ferramentas digitais, enfim, sendo mesmo dessa forma, o jornalista precisa estar reparado para essa nova possibilidade de trabalhar com a noticia. É fundamental por exemplo que o profissional domine e tenha formação a área da informática e se prepare para a realidade que virá, pois como afirma Alexius Meinong, “o jornalismo de investigação no futuro não contará apenas com os jornalistas que, na tradição romântica, vão para a rua, arriscam a vida em situações de perigo, mas também com os jornalistas que, prosaicamente sentados frente a um computador, detectam e investigam novos fatos fornecidos pela análise de dados”.
Autor: António Fidalgo publicou em 1993 nas Edições Cotovia o romance: Joaquim, o último dos profetas, fundou a BOCC (Biblioteca de Ciências da Comunicação). Atualmente é professor de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior e Diretor do Labcom (Laboratório de Comunicação Online).
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