Por Flávia da Guia -
O livro, Jornalismo Digital foi escrito por Pollyana Ferrari, professora e consultora de empresas que atua no mercado editorial de Informática desde 1980. È uma publicação da Editora Contexto e está em sua terceira edição. Jornalismo Digital é praticamente um diário de bordo de Pollyana Ferrari, quando relata suas experiências nesse mundo cheio de mistérios que é a Internet e a todos os lugares que ela pode levar.
O primeiro capítulo foi reservado para um pouco de história tanto do surgimento da grande rede, quanto da relação da escritora com o mundo da informática e as telas escuras do DOS, pouco conhecida pelos jovens de hoje, que encontram programas dinâmicos e convidativos.
De 1969 até 2006, são 37 anos de avanços nos estudos da rede. No início o uso era restrito ao uso militar americano, hoje o acesso é mundial. Feito por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, estreitando as fronteiras.
Segundo Pollyana a internet chegou como uma possibilidade financeira para muitos profissionais, inclusive para os jornalistas. Imagine poder passar as informações de forma rápida e para um número grandioso de pessoas. Mas o sonho durou pouco, com o passar do tempo foram obrigados a voltar para as redações da imprensa. Segundo a escritora os jornalistas precisam aprender a escrever para Web.
Principalmente por se tratar de um espaço em que o leitor tem inúmeras opções e normalmente não é fiel a uma página, como acontece com os jornais impressos e até mesmo na TV, até porque se trata de um público diferente. É um público jovem, muitos nasceram já na era digital, e embora tenham a possibilidade de se aprofundarem nos assuntos, preferem uma informação rápida e fácil.
O segundo capítulo trata da chegada da Internet no Brasil, e que mais uma vez é engolida pelas grandes empresas de comunicação, como Jornal do Brasil e Globo. A escritora traça uma linha histórica da evolução da Comunicação no Brasil, passando pela vinda da família real portuguesa e os jornais, passando pelo rádio em 1957, pela TV em 1965 até 2000 com os sites de conteúdo.
Além da chegada da Internet por aqui a escritora aborda temas como internet grátis, que faliu muitas empresas pequenas. O IG tinha no final do primeiro mês oitocentos mil usuários. A internet grátis associada à privatização da telefonia no Brasil conferiu às empresas provedoras mais usuários.
Pollyana escreve sobre o conceito de portal e as sessões que caracterizam este tipo de serviço, que oferecem de E-mail grátis a noticias, chats , home pages pessoais, comércio eletrônico e muito mais.
Ela termina o capítulo com uma analise das noticias nos portais. Para a escritora o consumidor procura cada vez mais produtos personalizados. O portal proporciona isso, você escolher que tipo de informação, ou que tipo de produto quer recebe. A internet acaba com a passividade por possibilitar uma interação entre o usuário e o meio.
Jornalismo digital é o assunto do terceiro capitulo. Como foi feito, como é feito , os desafios, os cursos de especialização. A diferença entre jornalismo digital e ciberjornalismo, que é uma nova tendência em que o jornalista precisa dominar da criação a escrita do texto para web. O perfil desse profissional é o de jovens que já nasceram com essa tecnologia. São acostumados a navegarem, dominam varias ferramentas, são dinâmicos e capazes e executar várias tarefas ao mesmo tempo.
Característica de um público que tem a opção da leitura não linear. Os hiperlinkes possibilitam continuar a leitura normal ou aprofundar seus conhecimentos por meio dessas passagens, ou tele-transportes. Um clique e você está com mais informações.
Saudosista lembra das intermináveis reuniões de pauta e como isso mudou com a Internet, como se trata de informações rápidas, não há tempo para discutir e sim para decidir. Ela entra então no conceito de usabilidade, que pode ser traduzido em qual o grau de dificuldade para utilização do produto pelo usuário? Ou seja, quanto mais fácil melhor, o Internauta procura resolver seus problemas em apenas um clique. Aparece então a necessidade dos sites personalizados, onde o usuário encontra os assuntos de seu interesse sem precisar dar voltas. Essa tem sido um dos grandes desafios dos meios eletrônicos, entender como funciona a cabeça e os gostos desse visitante.
Até chegar ao quarto capítulo onde trata do caminho a ser percorrido pelo profissional de jornalismo que pretende se enveredar pelo caminho da Web. Pollyana acredita que o caminho desse profissional ainda não está totalmente trilhado, ainda há muito para fazer, como criar uma identidade. É como se fosse tudo muito experimental, e realmente é se considerarmos o tempo de vida do rádio e da televisão, e que ainda sofrem transformações, imagine então um veiculo tão novo e embora seja muito explorado, ainda está a procura de uma identidade.
Para a escritora um provável futuro, é a criação de redações próprias para a Web, com direito a tudo que uma impressa tem. Uma particularidade nesse capítulo são os subcapítulos, que podem ser encontrados no site da editora. Essa sim é uma grande interação entre os veículos.
No quinto e ultimo capítulo ela faz um estudo de caso do Portal Terra, como se tornou o maior portal do Brasil. E como uma visão empresarial é importante para o crescimento de uma idéia. Há tempos o jornalismo não é feito somente de ideologia. Ela escreve, também, sobre a revista Época, das Organizações Globo, primeira revista eletrônica, que nasceu junto com a impressa, por exigência do visionário Roberto Marinho, que construiu um império da comunicação no Brasil.
Fala das vantagens e desvantagens da Web, e seus perigos, como a falta de apuração da informação, o que possibilita passar dados errados e confundir o usuário, perdendo a credibilidade. Convenhamos que apuração já não tem sido uma prática dos jornalistas. Esse problema se apresenta não só nos meios eletrônicos, mas nos televisivos e impresso também.
Ela termina o livro com um dicionário com jargões da Internet e com uma bibliografia extensa que permite aos mais curiosos e afoitos pelo assunto, se divirtam.
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