Por Rosane Fernandes e Débora Alves -
Engana-se quem pensa que o jornalismo on-line é apenas uma mera transposição de conteúdos do velho “fazer jornalístico” das mídias tradicionais. Além de abrir uma possibilidade multimídia para a informação e permitir uma interação maior com público é também uma “janela aberta” para atores sociais, movimentos populares, ONGs e sociedade civil organizada.
Isso porque o espaço conquistado pela sociedade civil na Internet traz para o debate público temas e pautas que geralmente são ignorados pela grande mídia. São muitas as Organizações Não Governamentais que enxergam na mídia alternativa uma maneira de amplificar seu discurso e o webjornalismo sem dúvida nenhuma é uma alternativa para este fim. Mas é claro que de modo geral, nem tudo são flores no jornalismo on-line brasileiro. É preciso cada vez mais profissionalismo na apuração e veiculação de informações para que erros não sejam cometidos e menos ainda propagados com a velocidade instantânea da internet. E para falar um pouco sobre webjornalismo e sua contribuição para o terceiro setor, o Artefato entrevistou a jornalista e coordenadora de Mídia On-line, Viviane Danin, da Agência Nacional dos Direitos da Infância.
Artefato Digital - Há quanto tempo trabalha na ANDI e qual a sua função? Viviane Danin - Estou na ANDI desde 2002 e sou coordenadora de mídia on-line da Instituição. Temos aqui toda uma estratégia voltada para produtos on-line, além de três sites grandes e diversos mini-sites relacionados aos muitos projetos desenvolvidos pela ONG.
Artefato Digital - Como você avalia o jornalismo on-line realizado no país? Quais são os erros mais freqüentes cometidos pelos jornalistas e o que ainda pode ser melhorado? Viviane Danin – Acredito que muito ainda precisa ser avançado no País em relação ao Jornalismo on-line. Um exemplo que posso dar é em relação à apuração de informações. Ainda ocorre muito de um veículo copiar o outro e assim vai. Se um comete um erro, verifica-se o mesmo erro em todos os outros. Isso acontece porque, ao contrário do jornalismo tradicional, que tem uma preocupação maior com a apuração das informações, no online a pressa e a precariedade das equipes, entre outros, ainda prevalece, fazendo com que a qualidade caia profundamente. Mas esta situação vem melhorando nos últimos tempos e acredito que as pessoas já entenderam que essa mídia veio pra ficar e que é preciso investimento. Sou confiante quanto a isso.
Artefato Digital - Quais são as maiores dificuldades técnicas do jornalismo on-line ? Viviane Danin - Há uma diferença entre o jornalismo on-line feito pela grande mídia e o jornalismo on-line coorporativo, feito por empresas, ONGs, entre outros. Posso dizer em relação à ANDI e ao terceiro setor que a grande dificuldade não é exatamente técnica, mas financeira. Conseguir financiamento para manter projetos e as áreas on-line da instituição.
Artefato Digital - Da mesma forma que a infografia é utilizada na mídia impressa para contextualizar melhor algumas matérias, quais são os ingredientes necessários para um bom texto no jornalismo on-line?
Viviane Danin - Acredito que os mesmos do jornalismo, digamos, offline ou tradicional. Acrescento o cuidado especial na criação de títulos e sutiãs. Eles precisam ser ainda mais precisos e dizer ainda mais do que de jornais impressos que contam com fotografias grandes para apoiar o conteúdo. No jornalismo on-line tem-se pouco espaço para fotos e normalmente são mais reduzidas.
Artefato Digital - Em sua opinião, o jornalismo on-line favorece uma maior interação com o público? De que forma? Viviane Danin - Tenho certeza que favorece uma interação maior. Não podemos mais só pensar no jornalismo feito por alguns para outros tantos acessarem simplesmente. Conteúdo colaborativo, por exemplo, é uma tendência que veio pra ficar.
Artefato Digital - Você concorda que o jornalismo on-line contribui para a "sociedade da informação" na medida em que atores sociais, movimentos populares e a sociedade civil organizada o utiliza para trazer pautas que geralmente são ignoradas pelas mídias tradicionais? Como isso ocorre em seu dia-a-dia? Viviane Danin - Sim acredito veementemente nisso. Estão aí, por exemplo, os blogs para comprovar essa tese. A ANDI também faz exatamente isso. É Justamente esse o nosso trabalho. Procuramos juntar material sobre os vários temas que envolvam a criança e o adolescente. A idéia é trazer à tona pautas importantes que chamem a atenção da mídia. Aliás, nosso trabalho é totalmente direcionado para a mobilização da mídia e uma estratégia online facilita muito esse trabalho, sem dúvida.
Artefato Digital – Atualmente, quantas publicações digitais a ANDI possui?O público tem livre acesso a todas? Viviane Danin -Nossa estratégia online é enorme. Alguns dos nossos produtos são diários, outros semanais ou mensais direcionados para públicos distintos também. A maioria do nosso conteúdo é livre e está disponível em nosso site. Somente não estão disponíveis os livros da série mídia e mobilização social porque são comercializados.
Artefato Digital - Vocês utilizam algum recurso de multimídia para tornar os textos mais atrativos? Viviane Danin - Normalmente não. Tentamos realmente focar no conteúdo que é o mais relevante para o nosso público.
Artefato Digital - Pra finalizar, o que o “foca” deve esperar desse mercado de trabalho? Viviane Danin - Deve fazer o que se deve fazer em qualquer profissão. Se profissionalizar o máximo possível, ficar ligado nas mudanças rápidas. No caso da nossa profissão ler e ler muito. Aconselho fortemente que os interessados nessa área visitem o Webinsider. É um site referência no Brasil para temas do cotidiano do jornalista de web.
Recado do profissional
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